sexta-feira, 17 de março de 2017

Tudo ao contrário

O dia até estava a ser lindo, o dia estava quente, estava tão colorido, tão calmo, estava tudo a correr bem, ou melhor, dentro das possibilidades. Tudo estava como devia estar. Mas neste dia o mundo estava prestes a dar uma volta e me deixar sem rumo.
Nada está a ser como dantes, nada está a fazer sentido, estou a tentar reagir mas as forças perderam se algures num dos sopros de vento que passaram por mim nesse dia. O mundo corre lá fora da janela, não para, o tempo passa e todos os outros nem se apercebem do caos que está a minha vida, quando achava que já não podia acontecer mais nada.... Estava enganada.
E agora? O que faço? E se te perder também? E se eles disserem que não passa? E se tiveres que passar por aquilo? Como vou eu aguentar? Como vou eu superar isto tudo? Nem imaginas como a minha vida tem andado e agora como vou te ajudar? Como te vou apoiar? Como vou aguentar com tudo sozinha? E se? E se não for como queremos? E agora?
Não estou pronta para ir passear sozinha, não estou preparada para isto, não vês que ainda sou uma menina, não vês que ainda sou uma criança que ainda não estou preparada para o que poderá acontecer daqui para a frente, diz me como queres que faça? Cada vez que penso nisto as lágrimas escorrem me pelo rosto, o meu coração ainda não está pronto para isto, ele ainda está em ferida, ele ainda dói, ainda não sarou, ainda está a chorar e já tem que aguentar tudo isto de novo. 
Espero que seja tudo dê certo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Sufoco

Sei que não te tenho dado atenção, sei que tenho falado pouco contigo, sei que te deixei de parte em algumas fases, eu sei que tenho falado, mas tu sabes que nunca estás longe, tu sabes que nunca sais de dentro de mim, tu és quem não me deixa desistir, tu és a força que preciso. A verdade é que depois de tudo, tu contínuas a fazer muita falta, onde estão os teus braços? Onde posso voltar a ouvir o mais belo som que é a tua voz? Onde estás tu? Pergunto eu todos os dias a toda a hora, onde o melhor colinho que alguma vez pude ter?
Deixa me ir ter contigo, deixa me voltar a tocar te, voltar a sentir te, deixa me deitar a cabeça no teu colo, deixa me sentir o teu cheiro, deixa me ouvir o teu coração bater novamente. Onde estás? Já nem em sonhos me visitas, eu preciso de ti neste momento. Onde estás?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

E agora, é fácil?


     É tão fácil deixares-me para trás, é tão fácil fazeres de mim a tua segunda, terceira, última escolha, é tão fácil magoares-me, não é? É tão fácil esqueceres quem sempre te ajudou, quem sempre te tirou do abismo onde todos os outros te meteram e deixaram lá ficar. É tão fácil livrares-te de mim, não é?
     Sempre achei ser um porto de abrigo para ti, mas agora percebi que não passo de um ponto de passagem. Sempre estive contigo e agora vejo-me sem ti. Mas não tem mal, a tua ausência passou a ser uma constante pouco variável. É fácil fugir de mim, não é?
     Bem sei que não te faço falta, bem sei que não passo de uma simples pessoa que pela tua vida passou. Uma pessoa que te ouviu, aconselhou, te consolou, te agarrou, que te apoiou e resgatou quando mais ninguém o fez. Uma pessoa que riu, chorou, desabafou e ajudou. Fui a pessoa.
      Agora tens mais pessoas a fazer esta difícil tarefa, a desempenhar esta complicada função, agora tens mais pessoas e nenhuma sou eu. É fácil assim não é? Continua fácil assim?
     O que é certo é que a pessoa que eu era para ti não desapareceu, não deixou de existir, ela continua aqui bem dentro de mim, mas a pessoa que sou agora só é para quem realmente a quer por inteiro, a quer verdadeiramente, desinteressadamente e permanentemente. Agora vou deixar de ser o que sou para ti, sim, só para ti, pois não sou uma pessoa, eu sou a pessoa, a primeira e única escolha, eu não sirvo apenas para quando mais ninguém te quer, para quando mais ninguém pode saber todos os segredos obscuros. Eu sirvo sempre.
     E agora? Continua fácil? Pois agora te digo, é tão fácil fazer de mim a ultima escolha, fugires e livrares-te de mim, mas também é tão fácil fazer o mesmo contigo…
     Eu sou o porto de abrigo e não um ponto de passagem!


Adeus, meu desengano.

Que desafio será este?!





     A vida põe-nos à prova a cada dia, dá-nos desafios a toda a hora, a vida nem sempre é como nós esperamos, nem sempre é fácil, nem sempre é em linha reta. A vida põe à nossa frente obstáculos, imensas curvas e cruzamentos, mas nunca nos leva a becos sem saída.
     Ninguém disse que viver era fácil, ninguém disse que a vida é um mar de rosas, para se viver tem que se aprender a viver, tem que se cair muitas vezes, mas aprender a levantar, para se viver tem que se lutar.
     Na vida nada é feito ao acaso, nada é deixado ao acaso. Na vida tudo é nos dado por algum motivo. A vida é feita de conquistas, de vitórias, de derrotas, é feita de ilusões, desilusões, é feita de pessoas boas e más, de pessoas que marcam e que nos marcam para sempre.
     Cada ilusão que temos é precisa, cada desilusão é ainda mais importante. Todas as desilusões nos magoam, nos marcam e deixam feridas para curar, e muita destas feridas deixam-nos cicatrizes para nos lembrar. Porém, é com estas desilusões, com estas quedas e com estas cicatrizes que crescemos, que aprendemos a não voltar a cair na ilusão. Todas essas quedas são importantes para aquilo que somos, para aquilo que queremos ser para a vida e nesta vida.
     Só quando caímos e nos levantamos é que damos valor, é que entendemos o que é a dor, o sofrimento, a mágoa… Mas é também quando caímos e nos levantamos que entendemos o que nos faz bem, o que nos faz falta, o que nos faz feliz…
     Por isso, para viver a vida não é preciso o manual de instruções, para viver a vida basta cair e levantar, rir e chorar, desiludir-se e apaixonar-se, deixar-se levar, não forçar nem obrigar, basta apenas seguir o vento e deixar-se levar…

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

No fio da solidão





     Se calhar sou eu, se calhar é apenas só imaginação, ou se calhar nem é nada. Neste momento é tudo. É a tua ausência, a tua presença, o teu olhar, o teu sorriso, a tua falta, o teu cheiro, és tu. Sou eu. Não somos nada, mas já fomos tudo.

     Passado. Algo que tem toda a identidade, uma carga tão grande de história, emoção, a tua vida. Tu. Fomos tudo. Eramos tudo. Tínhamos tudo. No passado ficou tudo, no passado não há preocupações, é passado.

     Eramos tudo, agora o que ficou? Não temos nada, não somos nada. As horas de conversa, as horas de risos, choros, de gargalhadas, as horas de silêncios, de algazarra, as horas de barulho, de agitação, as horas de olhares ruidosos sem um único som dito. Onde está tudo isso? O que se passou ao dois num só? Onde estás tu? Eu preciso de ti aqui, aqui bem dentro de mim. Aí não te vejo, não te sinto. Onde está a cumplicidade? Onde está o passado que construímos para o presente?

     Não estás aqui, mas há alguém que te tem, não sou eu, não sou eu que te tenho, nunca me pertenceste, mas nunca nos separávamos, eramos um só corpo, uma só mente. Pertencias-me sem ser minha propriedade.

     As horas agora não passam, o tempo parou de vez, não consigo viver, não conseguir seguir sem te ter aqui bem perto. As horas agora são vazias, para mim não existe tempo, não vivo, sobrevivo apenas. Há alguém que te preenche o tempo, há outro alguém que te faz rir, há outro alguém que sorri, que te vê, que te ouve, que tem o teu carinho, que tem a tua confiança, que tem a tua amizade, o teu amor, o teu carinho. Há outro alguém que tem o que é meu, há outro alguém que não sou eu. Há outro alguém.

     A mim resta-me ficar aqui, muda, sozinha, uma simples assistente da tua felicidade. A mim resta-me ficar na solidão, resta-me ficar. Vou ficar com a memória do que eu fui, do que eu era, do que eu fui no passado. O passado levou-te com ele, e eu fiquei aqui ver-te seguir sem mim, fiquei abandonada desejando voltar para o que fui. Ter-te de novo era um sonho ao inico, agora não passa de memória, não passa de miragem. Mas lá no fundo acredito, lá no fundo existe uma esperança latente, por isso não te digo adeus, apenas digo...

          Até já!!



 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Vamos lá fazer contas de Natal.


    
 
 
     Diz-se que é Natal, diz-se que é tempo de paz, amor e luz, diz-se que é tempo de por o rancor de parte e perdoar. Diz-se tanta coisa… No Natal todos mudam, no Natal tudo fica diferente do resto do ano. As crianças brincam à lareira, perto da árvore de Natal, abanam as prendas para tentarem saber o que esconde o papel de embrulho. Mas no fim de contas, o que é o Natal?...

     A neve cai suave na rua, e como é bela, sem pedir, pinta a relva, o caminho, as casas e os telhados. Como é belo o verdadeiro Espírito de Natal! Lá fora o frio torna-se acolhedor, cá dentro a lareira convida à partilha, convida ao amor. Na cozinha vem um aroma quase celestial, três gerações juntas a criar um sabor tão especial, avó, filha e neta trocam sabores, juntam experiências e adicionam muito amor para a tão tradicional ceia familiar.

     A Lua vai bem alta, a neve teima em não parar de cair e as crianças, cada vez mais impacientes, escolhem e juntam-se à primeira e maior prenda que querem abrir, os adultos, fingindo não ligar, divertem-se com as reações dos pequenos. E a hora mais mágica chegou!

     Nas ruas, há luzes por toda a parte, tantas luzes que ofuscam todo o brilho do Natal, as andam loucas, num corrupio de loja em loja, as mãos já não aguentam com tantos sacos, há prendas por todo o lado, embrulhos em cada esquina. Não se cheira a Natal na rua, apenas fumo de carros, metros e sabe-se lá mais o quê. Em casa, as famílias mal se olham, as crianças não largam os videojogos, as tecnologias todas, a ceia, que fora encomendada há dias atrás, é aquecida e servida, todos comem e nem são partilhadas memórias. A hora chegou, abrem-se as prendas que são previamente escolhidas e compara-se qual a prenda mais cara.

     Nem são todos iguais, mas o Espírito de Natal devia ser o mesmo. Sem-abrigos juntam-se debaixo da ponte e partilham, partilham um simples pedaço de pão, que é tudo o que lhes resta, quem o teu. Por não terem casa, também não têm Natal?! Por não haver dinheiro ou um monte de prendas não é considerado Natal?! O que é mais importante?! Prendas, bens materiais e dinheiro? Ou comunhão, Partilha e o único e verdadeiro Espírito de Natal?

     Mas e no fim de contas, o que é o Natal?

sábado, 5 de julho de 2014



09 de Janeiro de 2014

   Sento-me naquela rocha com o mar a beijar-me os pés, ouço a tua voz entoada na brisa do mar, cantas-me a tua canção, a minha canção, a nossa canção, aquela que me fazia sorrir sempre antes de cair no mundo dos sonhos, aquela que me cantavas quando tinha medo ou quando o dia não estava a correr do meu jeito. Hoje, aqui sentada recordo todos os bons momentos, todas as palavras, os afectos, o carinho, como tudo parece ter acontecido ontem, como tudo parece tão diferente.
   Debaixo da chuva gelada, as minhas lágrimas quentes salgam-me o rosto, os meus pés são embalados ao sabor das ondas calmas e hoje sentada recordo-te a ti com mágoa e tristeza, os meus suspiros trazem saudade, as minhas lágrimas trazem memórias e o meu corpo chora pelo teu abraço, pelo teu beijo.
   Ouço a tua voz, esboço um sorriso, olho para trás e no meio da chuva vejo o teu rosto e corro para te alcançar. Deixo-me cair por terra, os meus joelhos tocaram a areia molhada e fria, uma dor instalou-se em mim e correu todo o meu corpo, não sei se dói por foras ou por dentro, a minha alma sente um vazio repleto de saudade. Porque é que não te deixas agarrar?
   A tua ausência deixa-me confusa, cansada, quero-te tocar, mas estás ausente, quero-te falar, mas estás ausentes, quero-te aqui, mas já não estás mais aqui, já não podes estar mais aqui.
   Dava tudo para voltar atrás no tempo e poder mudar tudo para continuares comigo, dava tudo para voltar atrás no tempo em que os abraços eram reais, onde existiam diálogos, onde a tua presença existia, era sentida, e a tua ausência era uma miragem.
   Agora só me posso contentar com a saudade, só me posso agarrar ao saudade e à vontade que tenho de te voltar a ter. O desejo é muito, a vontade transborda, mas o destino, esse dita todas as regras do jogo da vida e só nos resta aceitar e continuar a viver.